A Bússola Intertextual e as nove tipologias intertextuais principais

Autores

  • Gabriel Mesquita Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.52930/mt.v11i1.367

Resumo

A pesquisa teve como objetivo elaborar uma proposta original para classificar e sistematizar a intertextualidade no âmbito da música. Para tanto, foi criada a chamada Bússola Intertextual, uma perspectiva bidimensional na forma de um gráfico por meio do qual é possível localizar cada caso de intertextualidade. As duas dimensões do gráfico correspondem aos aspectos da presença e da intencionalidade intertextuais: o primeiro, relacionado ao grau de reconhecibilidade do material temático do intertexto; o segundo, ao grau de preservação do contexto no qual o material estava inserido. A relação entre presença e intencionalidade corresponde, portanto, à relação entre algo que está sendo apresentado e a maneira pela qual se está apresentando algo. Por meio da Bússola Intertextual, foi realizada uma compilação e unificação inédita de tipologias intertextuais, que se mapeiam dentro do recorte bidimensional do gráfico. As nove tipologias principais são: citação, paródia, pastiche, modelagem sistêmica, modelagem de perfil, reescritura, paráfrase, homenagem e variação. Em cada caso, foram criadas miniaturas originais a partir de um mesmo intertexto: o tema inicial do primeiro movimento da Sonata Op. 2 nº 1 em Fá menor de Beethoven, escolhido por ser amplamente conhecido e utilizado em textos teóricos. O intuito foi mostrar, de forma didática, como um mesmo intertexto pode se transformar de maneiras totalmente distintas a partir de cada tipologia intertextual. Consideramos importante a produção de trabalhos que conscientizem e orientem o uso da intertextualidade, uma vez que, além de estar sempre presente nos processos criativos, ela pode atuar como poderoso gerador de ferramentas de criação e como uma alternativa para o “drama do papel em branco”. A Bússola Intertextual vem se mostrando uma proposta original e eficiente para sistematizar o uso da intertextualidade, revelando que toda obra é fruto de algo anterior e que a influência pode ser transformada em fonte inesgotável de recursos criativos.

Biografia do Autor

Gabriel Mesquita, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Gabriel Mesquita é doutor em Processos Criativos em Música pela UNIRIO, com distinção "cum laude" (com louvor) e indicação da banca para publicação e para concorrer ao Prêmio Capes de Melhor Tese; mestre em Poéticas da Criação Musical pela UFRJ; e bacharel em Composição pela UNIRIO. Sua pesquisa sobre intertextualidade musical, especialmente representada pela proposta original intitulada "Bússola Intertextual", vem sendo amplamente difundida por ele e por diversos autores em publicações como as revistas "Orfeu", "Opus", "Vórtex", "Musica Theorica" (Revista da Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical), o "Brazilian Journal of Music and Mathematics", além de comunicações e anais dos congressos da ANPPOM, teses e dissertações. No campo composicional, foi premiado no concurso do "Festival de Música Brasileira Contemporânea Edino Krieger", com obra interpretada pelo renomado Quarteto Radamés Gnattali, em Florianópolis; e no "Festival Brasil Vocal CCBB", com peça para coro regida por André Protásio, no Rio de Janeiro. Outras composições se destacam em apresentações no Brasil e no exterior, como a dedicada ao pianista e bandoneonista peruano Claudio Constantini, tocada no concerto "Teclados sin Fronteras", na Fundación Juan March (Madri); o quinteto de sopros selecionado para o "XXVIII Panorama da Música Brasileira Atual", executado pelo Quinteto Experimental no Salão Leopoldo Miguez (Rio de Janeiro); a trilha gravada por Maria Teresa Madeira para uma obra de videoarte exibida no festival "Visualismo: Arte, Tecnologia e Cidade" (também no Rio); a peça para clarinete e violino encomendada por Eliane Bastos, apresentada na Florida State University (Tallahassee); e a obra dedicada ao pianista Pablo Rossi, estreada no "Festival Cervantino" (Guanajuato) e reapresentada nos recitais "Canción de la Tierra" (Teatro Tom Jobim, Assunção), "La Voix de la Forêt" (Embaixada do Brasil em Paris) e "Echos der Natur" (Klus Park Kapelle, Zurique). Destacam-se ainda a composição encomendada pela Orquestra Filarmônica Catarinense, apresentada no recital "Ritmos da Floresta", na Sala Palestrina (Roma); e a obra resultante de sua tese, incluída no repertório da pianista Marina Spoladore nas apresentações "Música no Museu" (Casa Museu Eva Klabin, Rio de Janeiro), "Recital Intertextual" (Conservatório UFMG) e na série "Eufonias: Música no Século 21" (Fundação de Educação Artística, Belo Horizonte). Após concluir a especialização em Música para Teatro, Cinema e TV coordenada por Tim Rescala no Conservatório Brasileiro de Música , passou a atuar também como compositor e diretor musical em diversos espetáculos teatrais. Entre eles, destacam-se "O Grande Circo Místico", com direção de João Fonseca; "A Arte da Comédia", dirigido por Sérgio Módena; "Tudo Que Eu Queria Te Dizer", com direção de Victor Garcia Peralta; "Paletó de Lamê Os Grandes Sucessos (dos Outros)", dirigido por Sérgio Módena e Gustavo Wabner; e "O Soldadinho e a Bailarina", com direção de Gabriel Villela.

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Publicado

2026-03-24

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Seção

Artigos