A Bússola Intertextual e as nove tipologias intertextuais principais
DOI:
https://doi.org/10.52930/mt.v11i1.367Resumo
A pesquisa teve como objetivo elaborar uma proposta original para classificar e sistematizar a intertextualidade no âmbito da música. Para tanto, foi criada a chamada Bússola Intertextual, uma perspectiva bidimensional na forma de um gráfico por meio do qual é possível localizar cada caso de intertextualidade. As duas dimensões do gráfico correspondem aos aspectos da presença e da intencionalidade intertextuais: o primeiro, relacionado ao grau de reconhecibilidade do material temático do intertexto; o segundo, ao grau de preservação do contexto no qual o material estava inserido. A relação entre presença e intencionalidade corresponde, portanto, à relação entre algo que está sendo apresentado e a maneira pela qual se está apresentando algo. Por meio da Bússola Intertextual, foi realizada uma compilação e unificação inédita de tipologias intertextuais, que se mapeiam dentro do recorte bidimensional do gráfico. As nove tipologias principais são: citação, paródia, pastiche, modelagem sistêmica, modelagem de perfil, reescritura, paráfrase, homenagem e variação. Em cada caso, foram criadas miniaturas originais a partir de um mesmo intertexto: o tema inicial do primeiro movimento da Sonata Op. 2 nº 1 em Fá menor de Beethoven, escolhido por ser amplamente conhecido e utilizado em textos teóricos. O intuito foi mostrar, de forma didática, como um mesmo intertexto pode se transformar de maneiras totalmente distintas a partir de cada tipologia intertextual. Consideramos importante a produção de trabalhos que conscientizem e orientem o uso da intertextualidade, uma vez que, além de estar sempre presente nos processos criativos, ela pode atuar como poderoso gerador de ferramentas de criação e como uma alternativa para o “drama do papel em branco”. A Bússola Intertextual vem se mostrando uma proposta original e eficiente para sistematizar o uso da intertextualidade, revelando que toda obra é fruto de algo anterior e que a influência pode ser transformada em fonte inesgotável de recursos criativos.